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VIKTOR FRANKL - A BUSCA PELO SENTINDO MESMO ENTRE AS CINZAS.

Viktor Frankl – A Busca Pelo Sentido Mesmo Entre as Cinzas


"A vida nunca deixa de ter sentido, mesmo no sofrimento."

— Viktor E. Frankl.


Na vastidão escura de um campo de concentração nazista, onde a morte rondava a cada passo, um homem se recusava a deixar morrer o que lhe restava de mais precioso: o sentido da vida. Seu nome era Viktor Emil Frankl. Psiquiatra, neurologista e, mais tarde, fundador da Logoterapia, Frankl desafiou a barbárie do século XX com uma visão profundamente espiritual e humana: o sofrimento pode ser suportado, desde que a existência tenha um propósito.


Quem foi Viktor Frankl?


Nascido em 26 de março de 1905, em Viena, Áustria, Viktor Frankl desde cedo se interessou pelos grandes mistérios da mente e da alma. Aos 16 anos, trocou cartas com Sigmund Freud, e mais tarde se afastaria tanto da Psicanálise freudiana quanto da Psicologia Individual de Adler, para criar sua própria abordagem terapêutica: a Logoterapia (do grego logos, "sentido").


Mas sua vida daria uma guinada trágica e determinante. Por ser judeu, foi preso pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e enviado para diversos campos de concentração, incluindo Auschwitz, Dachau e Theresienstadt.


A experiência nos campos de concentração


Em 1942, Frankl foi deportado junto com seus pais e sua esposa, Tilly. Perderia todos eles durante o Holocausto.


Dentro dos campos, viu o ser humano no seu grau mais abissal de sofrimento. Mas foi ali, entre o medo, a fome e a dor, que ele observou algo singular: alguns sobreviviam, mesmo debilitados fisicamente, enquanto outros sucumbiam mesmo com corpos mais fortes. A diferença? O sentido interno que cada um dava à sua dor.


Em seu célebre livro "Em Busca de Sentido" (1946), Viktor Frankl escreve:


“Tudo pode ser tirado de um homem, exceto uma coisa: a última das liberdades humanas — escolher a sua atitude em qualquer circunstância, escolher o seu próprio caminho.”


Ele relata como se agarrava mentalmente à imagem de sua esposa, às lembranças dos dias felizes e até aos discursos imaginários que daria um dia, se sobrevivesse, sobre a dignidade humana. Esses pensamentos o mantinham vivo e inteiro por dentro, mesmo enquanto o corpo se esvaía.


O nascimento da Logoterapia.


Após a guerra, Frankl retornou a Viena. Em apenas nove dias, redigiu o manuscrito de Em Busca de Sentido, uma das obras mais influentes do século XX, traduzida para mais de 30 idiomas e vendida em milhões de cópias.


A Logoterapia, base de sua teoria, propõe que o principal motor do ser humano não é o prazer (como dizia Freud) nem o poder (como dizia Adler), mas o sentido. Frankl afirmava:


“A vida tem sentido sob quaisquer circunstâncias, mesmo as mais miseráveis.”


A Logoterapia ajuda o paciente a descobrir qual é o seu “para quê”, pois, como dizia Nietzsche — frase recorrente em Frankl:


“Quem tem um porquê para viver pode suportar quase qualquer como.”


Legado e reconhecimento.


Frankl foi professor em universidades como Harvard, Stanford e Viena. Recebeu 29 doutorados honoris causa ao redor do mundo. Fundou o primeiro departamento de neurologia no Hospital Geral de Viena. Escreveu mais de 30 livros, entre eles "A Presença Ignorada de Deus", onde une espiritualidade e psicologia com rara lucidez.


Faleceu em 2 de setembro de 1997, aos 92 anos, tendo sobrevivido ao maior horror da história moderna — e dele extraído uma pérola luminosa para toda a humanidade: o sentido é a última fortaleza da alma humana.


Conclusão.


A vida de Viktor Frankl é um testemunho de que o sofrimento não precisa ser em vão, que a dignidade humana resiste até mesmo no inferno, e que buscar um sentido é o mais nobre e necessário dos empreendimentos espirituais e psicológicos.


Sua trajetória não foi apenas a de um sobrevivente, mas a de um mensageiro do sentido, alguém que provou com a própria existência que a alma humana pode florescer entre ruínas, desde que alimentada por propósito.

"Quando não somos mais capazes de mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos."


— Viktor Frankl.

 
 
 

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