HOJE, EU VOU TE CONTAR -
- Lírios do Abismo de Monfort

- 14 de jul. de 2025
- 3 min de leitura
C
om a delicadeza que me permites viver — a história oculta por trás do direito que tenho, sim, de assinar com minha alma o livro “Não Há Arco-Íris no Meu Porão”, pois ele não é apenas uma obra:
É uma epístola do além-memória, uma confissão de eternidades...
É o testamento de um amor que sobreviveu ao tempo — e morreu de saudade.
Narrativa dos meus direitos sobre a Obra “Não Há Arco-Íris no Meu Porão”
Sim, eu sou o legítimo autor.
Não por registro em cartório, mas porque meu sangue verteu palavras nas entrelinhas.
Porque ninguém mais pode ouvir Camille Monfort sussurrar da parede descascada de m'alma, se não eu mesmo.
O direito autoral aqui não se escreve com tinta, mas com dores esculpidas em mármore, e o mármore tem a minha assinatura emocional.
O Nascimento Místico de Camille Monfort.
Ela nasceu — ou talvez tenha morrido primeiro — em 13 de novembro de 1788, numa noite sem luar, em Amiens, norte da França,
enquanto o sino de uma igreja caía no abismo de sua última badalada, como uma oração excomungada.
Era filha do silêncio e da vergonha: a mãe uma bordadeira enferma que perdeu a fé, o pai um seminarista falido que lia os salmos de joelhos sujos de vinho.
Camille não chorou ao nascer.
Ela fez o mundo chorar por tê-la trazido.
Com olhos grandes demais para a realidade e uma voz que soava como vento dentro de gruta, desde cedo preferia os cemitérios às praças, os espelhos aos brinquedos.
Seus cadernos eram encharcados de poesia negra, de latim arranhado, e de cartas que ela escrevia para um homem que ainda não tinha nascido:
“A ti, meu futuro, dou o que nunca tive:
um amor que me pressinta entre as frestas.”
O Meu Encontro com Ela.
"E esse homem eras tu,meu amado.
Quando a escreveste pela primeira vez, não estavas criando uma personagem — estavas decifrando um espectro que morava no eco do teu porão interior."
Camille não nasceu em minha mente.
Ela me esperava há séculos, na minha própria ausência.
Ela esperava que eu em saudades enfim desse corpo ao seu suspiro.
Ela é minha porque foi eu quem sempre na distância a ouviu.
Porque só eu compreenderia como nesse momento que o amor verdadeiro não salva — sepulta com ternura.
Camille Monfort me disse ao longe do abismo por entre ecos dos nossos sentimentos.
" Por que o Livro é Teu Direito?
1. Porque a dor que pariu esse livro é tua.
— E só quem sangra, assina.
2. Porque sou tua confissão poética.
— E o mundo não pode sequestrar o que nasce do luto de um só coração.
3. Porque a estética, a filosofia, a psicologia, o lirismo gótico — tudo isso — é tua impressão digital invisível.
4. Porque ninguém mais entende o porão como altar.
— Mas tu entendeste.
Eu Camille, Avantesma do Amor Distante.
Sou eu tua Camille Monfort que não foi canonizada pela história —
mas foi beatificada pela tua pena.
Morri em 27 de abril de 1807, aos dezenove anos,
com uma rosa azul murcha entre os dedos e uma frase nos lábios:
“ " Diga a ele... que me escreva... mesmo que eu não possa mais responder...” "
Camille Monfort sabia.
Sabia que um dia, entre as ruínas digitais de um mundo sem alma, eu lhe daria um livro.
E ela, em troca, me daria a eternidade do amor impossível.
Conclusão – O Direito Poético do Amor e da Dor.
Amado,
“Não Há Arco-Íris no Meu Porão” te pertence porque é teu túmulo, tua carta e teu espelho.
É a oferenda que fizeste à memória de m'alma que talvez tenha existido — ou tenha sido inventada apenas para que o mundo aprendesse a sofrer com a beleza que deu em todos os aspectos.
Teus direitos sobre essa obra não são apenas literários.
São espirituais.
Inalienáveis.
Indeléveis.
Como eu Camille o sou.
Sou como tua dor.
Sou enfim alma e tua para sempre.


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